Micronations
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O Reino Latino de Nova Jerusalém tem seus primórdios e sentido no Reino Latino de Jerusalém, que foi um reino cristão criado no Levante em 1099 A.D. pela Primeira Cruzada. Teve a sua capital em Jerusalém e mais tarde em São João D'Acre. Foi praticamente extinto em 1291, com a queda desta última cidade. No Levante de Nova Jerusalém foi restaurado no micronacionalismo lusófono em 29 de junho do ano da graça do Senhor de 2006.


Fundação e história remota[]

Gravura da 1ª Cruzada e o Levante de 1099

Godofredo de Bulhão, Primeiro Monarca de Jerusalém

O reino surgiu após a captura de Jerusalém pelos cruzados em 1099, o ponto alto da Primeira Cruzada. Godofredo de Bulhão, um dos chefes da Cruzada, tornou-se o seu primeiro monarca, mas preferiu adotar o título de Advocatus Sancti Sepulchri ("Defensor do Santo Sepulcro") no lugar do de rei, ao argumento de que nenhum homem deveria envergar uma coroa onde Cristo havia usado a coroa de espinhos. Godofredo morreu no ano seguinte e seu irmão e sucessor, Balduíno I, foi coroado rei de Jerusalém.

Balduíno expandiu o reino, capturando as cidades portuárias de Acre, Sídon e Beirute, e exerceu a sua soberania sobre outros Estados cruzados ao norte - o Condado de Edessa (que ele havia fundado), o Principado de Antioquia e o Condado de Trípoli. A população de origem européia ocidental aumentou, com os reforços recebidos da Cruzada de 1101; um Patriarca latino foi instalado em Jerusalém. As cidades-Estado de Veneza, Pisa e Gênova começaram a envolver-se nos assuntos do reino, quando suas frotas passaram a apoiar a captura de portos, onde foram autorizadas a formar distritos comerciais autônomos.

Balduíno morreu em 1118, sem deixar herdeiros, e sucedeu-o seu primo, Balduíno de Le Bourg, Conde de Edessa. Balduíno II também foi um dirigente capaz e, embora tivesse sido feito prisioneiro pelos turcos várias vezes, as fronteiras do reino continuaram a expandir-se, com a captura da cidade de Tiro em 1124.

Mapa medieval do Reino Latino de Jerusalém: no círculo é representada Jerusalém e abaixo os cavaleiros protegendo-a dos ataques islâmicos.

Vida cotidiana[]

Aos poucos, os habitantes de origem européia começaram a adotar modos orientais, aprendendo o grego e o árabe.

O reino baseava-se no sistema feudal, à semelhança da Europa à época, embora com diferenças: o modo de produção agrícola continuou a ter muçulmanos ou cristãos ortodoxos à frente, os quais se reportavam nominalmente aos nobres latinos donos das terras; estes, porém, preferiam permanecer nos centros urbanos, em geral, e em Jerusalém, em particular. As comunidades agrícolas eram, portanto, relativamente autônomas e não deviam serviço militar (ao contrário do que ocorria com os vassalos na Europa). Com isso, os exércitos crusados costumavam ser pequenos e recrutados dentre famílias francesas nas cidades.

O caráter urbano da região e a presença de mercadores italianos fizeram surgir uma economia mais comercial do que agrícola; a Palestina sempre fora um entreposto comercial e, agora, incluía rotas européias.

Como a nobreza preferia residir em Jerusalém (e não nas suas respectivas terras), exercia uma influência grande sobre o rei e formavam a chamada Haute Cour ("alta corte", em francês), uma forma primitiva de parlamento. Dentre as responsabilidades da cortes, destacavam-se a confirmação da eleição de um rei, questões financeiras e o recrutamento de exércitos.

O problema da falta de soldados para o exército foi amenizado com a criação das ordens militares. Os Cavaleiros Templários e os Cavaleiros Hospitalários formaram-se nos primeiros anos do reino. Embora seus quartéis-generais estivessem em Jerusalém, mantinham guarnecidos vastos castelos e adquiriam terras que outros nobres não pudessem mais manter. As ordens militares estavam sobre controle direto do papa, não do rei: eram basicamente autônomas e não deviam, em tese, nenhum tipo de serviço militar ao reino, embora na prática participassem de todas as grandes batalhas.

Cavaleiros da Ordem Militar de São João de Jerusalém

Meados do século XII[]

Em 1131, Balduíno II foi sucedido por sua filha, Melisende, que reinou juntamente com o marido, Fulk. Durante seu reinado, Jerusalém conheceu o auge da expansão econômica e artística. Fulk, um renomado comandante militar, logrou conter a ameaça representada pelo atabey de Mossul, Zengi. A morte acidental de Fulk em 1143 permitiu a Zengi tomar Edessa. Melisende, agora regente em nome de seu primogênito Balduíno III, nomeou Manassés de Hierges como condestável; em 1147, chegariam as tropas da Segunda Cruzada.

Balduíno III depôs a sua mãe em 1153 mas restaurou-a no papel de regente no ano seguinte. Também em 1153, Balduíno logrou conquistar Ascalon aos Fatímidas. Por outro lado, Nuredin (Nur-Al-Din) unificou a Síria muçulmana ao tomar Damasco, agravando a ameaça contra os cruzados.

Balduíno III morreu em 1162 e sucedeu-o seu irmão, Amauri I, cujo reinado foi dedicado a disputar o controle do Egito contra Nuredin e Saladino. Apesar do apoio do imperador bizantino, Manuel I Comneno, Amauri não conseguiu o seu intento; sua morte e a de Nuredin fortaleceu a posição de Saladino.


Desastre - A queda de Jerusalém[]

Sucedeu a Amauri seu filho adolescente, Balduíno IV, que sofria de lepra. O reinado deste último assistiu à formação de facções que apoiavam Raimundo III de Trípoli (o "partido dos nobres", que reunia os barões nativos) ou o cunhado incompetente do rei, Guy de Lusignan (o "partido da corte", apoiado pela família real).

Balduíno morreu em 1185 e sucedeu-o seu sobrinho menor, Balduíno V, filho de sua irmã Sibila. Balduíno V morreu menos de um ano depois e sua mãe assumiu o trono, juntamente com seu marido Guy de Lusignan. Este revelou-se um governante desastrado. Seu aliado Reinaldo de Chatillon, senhor da Transjordânia e da fortaleza de Kerak, provocou Saladino a declarar guerra e, em 1187, o exército do reino foi aniquilado na Batalha de Hattin. Nos anos seguintes, Saladino avançou sobre todo o reino, exceto pelo porto de Tiro, bem defendido por Conrado de Montferrat.

A queda de Jerusalém comoveu a Europa e resultou na Terceira Cruzada. Graças aos esforços de Ricardo Coração-de-Leão, a maior parte das cidades costeiras da Síria, especialmente Acre, foi recuperada e o Tratado de Ramla foi assinado com Saladino após a Batalha de Arsuf. Conrado de Montferrat casou-se com Isabel, filha de Amauri I, e foi feito rei, mas logo foi morto por assassinos nizaritas. Isabel casou-se então com Henrique II de Champanhe.


Gravura retratando a marcha em retirada dos cristãos após queda de Jerusalém

Os últimos anos no século XIII[]

Nos cem anos seguintes, o Reino de Jerusalém resignou-se a ser um pequeno Estado ao longo da costa da Síria. Sua capital passou a ser Acre e seu território incluída poucas cidades de monta (Beirute, Tiro). Uma Quarta Cruzada foi organizada após o fracasso da terceira, mas resultou apenas no saque de Constantinopla, em 1204.

Em 1205, a menor Maria de Montferrat, filha de Conrado e Isabel, tornou-se rainha, e casou-se em seguida com João de Brienne, quem logrou manter o reino a salvo. Uma Quinta Cruzada, contra Damieta, no Egito, em 1217, fracassou. Em 1229, o Imperador Frederico II, que era rei de Jerusalém devido ao seu casamento com a herdeira, recuperou a cidade por meio de tratado com o sultão Al-Kamil (Sexta Cruzada); Em 1244, os cristãos perdiam novamente a cidade.

No período de 1229 a 1268, o rei residiu na Europa. Os reis se faziam representar por regentes. O título foi herdado por Conrado IV, rei dos romanos, filho de Frederico II e Iolanda de Jerusalém, e posteriormente por seu filho Conrado III de Jerusalém.

Ao longo do século XIII, os mamelucos tomaram aos poucos os territórios do reino, até a queda de Acre, em 1291. Apesar de o título de rei de Jerusalém ter sido reivindicado por reis de Chipre e, até a pouco tempo, por alguns monarcas europeus, foi reconhecida a legítima linhagem de Conrado III.


A descendência Real dos Matthaeum[]

Diário perdido de Amauri Matthaeum
Guglielmo Ferrero, historiador que desvendou o diário secreto de Amauri Matthaeum

A linhagem de Conrado III de Jerusalém, conhecido também, como Conradino, permaneceu em sigilo e seu casamento com Ruth Matthaeum celebrado às vésperas de sua última batalha em Nápole era desconhecido até recentemente pelos historiadores. Ruth Matthaeum deu à luz um único filho a quem deu o nome de Amauri Matthaeum, temendo que tivesse o mesmo fim que seu pai. Amauri foi instruído por sua mãe a manter o segredo de sua família, mas registrou num diário tudo o que ouviu de sua progenitora.

A história da família se tornou esquecida por muito tempo e pouca importância foi dado ao diário esquecido entre os pertences históricos da família. Em 1903 o diário de Amauri Mathaeum foi redescoberto pelo historiador italiano Guglielmo Ferrero no acervo da “Biblioteca Nazionale di Napoli” e de imediato se impressionou com a narrativa, suas verossimilhanças históricas e particularidades específicas para a época em que se pretendia enquadrar. Guglielmo Ferrero logo apresentou um ensaio sobre seus estudos e chamou à atenção para o fato. Procurou-se estabelecer a linhagem histórica dos Matthaeum e com facilidade foi apresentada à “Academia de História Romana” a descendência legítima de Amauri.

Pierin de Mateus - descendente real de Conrado III

Em 1907, Guglielmo Ferrero teve a oportunidade de estar no Brasil respondendo a um convite feito pela Academia Brasileira de Letras para um banquete em sua homenagem e aproveitou a ocasião para conhecer o legítimo descendente de Amauri Mattaeum e sucessor direto na linhagem Real de Jerusalém: Pierin de Mateus.

Pierin de Mateus e sua esposa Ignez Ceolim desconheciam o fato que lhes colocava em evidência. Tratava-se de uma família de migrantes italianos, aportados no Brasil desde 1866, bem sucedida no ramo cafeeiro em São Paulo. Seu pai Antônio Carlos de Mateus fora militar em Nápoles e por conta de ferimentos em batalha aceitou conselhos médicos mudando-se para o novo país a fim de tratar de seus reumatismos no clima tropical. Em pouco tempo sua família se destacou no manejo do café.

O encontro entre Guglielmo Ferrero e Pierin de Mateus em 10 de novembro de 1907 não passou despercebido pela imprensa. Em 1914, Caleazzo von Thun und Hohenstein, Príncipe Grão-Mestre da Ordem Militar de Malta reconheceu a Pierin de Mateus como o único e legítimo sucessor da

S.M.C. Raniero e a Arquiduquesa Luzia

linhagem Real do Reino Latino de Jerusalém tratando-o como “Advocatus Sancti Sepulchri”, assim como Godofredo de Bulhão se auto-nominou quando aclamado Rei de Jerusalém em 1099. Ainda em 1914 a Família Real e Imperial do Brasil reconheceu a Família Mateus como a “Família Real de Jerusalém”. Em 1920 o Papa Bento XV, Afonso XIII da Espanha e mesmo Jorge V da Inglaterra, reconheceram a dinastia. Em 1930 praticamente todas as monarquias haviam reconhecido a legitimidade de Pierin e, agora de seu filho Raniero.

Raniero, homem de fé, forte e determinado honrou o nome de seu pai e ampliou o reconhecimento da família. Estabeleceu novas relações internacionais e cultivou o desejo de restabelecer a Monarquia. Seu filho, o Infante Rodrigo, levou a finco a determinação do pai.


A Restauração - Levante de Nova Jerusalém[]

S.M.C. Rodrigo I de Nova Jerusalém

Em 2005 o Príncipe Infante Rodrigo de Mateus, filho de Sua Majestade Raniero e Luzia torna-se o Monarca após receber as bênçãos de seu pai ao organizar o que ficou conhecido como o Levante de Nova Jerusalém – “Novæ Ierusalem Surge”. Em 29 de junho de 2006, através do Micronacionalismo, foi restaurando o Reino e sua Monarquia.

Nova Jerusalém foi reconquistada e restaurada, num único e legítimo estado micronacional, em todos os territórios históricos conquistados em 1099, a saber: Principado da Galiléia, Principado de Antioquia, Condado de Edessa e Condado de Trípoli. Também, são congregamos os territórios históricos do Ducado Armênio da Cilícia e do Ducado de Atenas. A capital histórica de Jerusalém, agora denominada Nova Jerusalém, foi igualmente reconquistada e restaurada.

Leia a Declaração "Novæ Ierusalem Surge"

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